domingo, 15 de fevereiro de 2009

Os artigos que deram origem ao Blog

Psicologia da Aprendizagem – Experiência como Formando

Ao ler e consultar os vários textos disponibilizados sobre a formação profissional de adultos e os vários aspectos da Pedagogia versus a Andragogia, não pude deixar de reflectir sobre a minha própria experiência nas duas filosofias de aprendizagem. Quem sabe, talvez em parte pelo conflito gerado entre o modelo pedagógico e o quase adulto que eu era na altura, tomei a decisão de me voluntariar para a Força Aérea como cabo especialista, pois estava “saturado” da escola e de estudar, entre outras razões.


Mal sabia eu que a minha permanência entre as fileiras da Força Aérea seria, como o é ainda hoje, uma constante aprendizagem e formação, sempre necessária e benéfica, quer para a melhoria do profissional que todos procuramos ser, quer para tornar ainda mais eficiente o ambiente de trabalho onde estamos inseridos.


Destas várias formações, aquela que recordo mais vivamente por ter gostado, é talvez o Curso de Sobrevivência, Fuga e Evasão, ministrado pelo Centro de Treino e Sobrevivência da Força Aérea (CTSFA). Este curso prepara-nos para as técnicas de sobrevivência em terra e no mar, técnicas de fuga e evasão em território inimigo e treino de situações diversas, próximas da realidade, a que somos sujeitos enquanto prisioneiros de guerra.

Depois da sempre necessária parte teórica do curso, onde nos são dados os conhecimentos (intercalados com alguns exercícios básicos) sobre toda uma diversidade de técnicas de sobrevivência em terra e no mar, progressão no terreno, camuflagem, primeiros socorros, utilização de recursos disponíveis em campo e interrogatórios, - veio a mais desafiante parte prática de pôr em exercício tudo aquilo que absorvi com interesse na sala de aula. Assim, fomos largados em grupos de três no meio do mato com objectivos traçados de nos dirigirmos ao ponto pré-determinado de recolha. Reunindo as experiências pessoais de cada um com o conjunto das matérias que tínhamos aprendido na fase teórica do curso, lá conseguimos gerir o nosso conhecimento para nos ajudar a ultrapassar o frio, a chuva, as caminhadas, o cansaço, a fome e os “mimos” dos interrogadores na “prisão”. Depois da fuga, conseguimos chegar ao fim do exercício com sucesso, entre muitas desventuras e peripécias.

Tenho a certeza de que, apesar de o realizarmos juntos e de conter uma linha comum, a experiência resultante foi diferente para cada dos elementos do grupo.
No que me diz respeito, este curso foi bastante estimulante, pois além de me dar conhecimentos sobre as matérias propostas, ajudou-me a conhecer-me a mim próprio, a tomar noção dos meus limites, a dar valor às pequenas coisas do meu quotidiano e principalmente a gerir a pressão psicológica adversa a que estava submetido. Estas características são pois lições de vida necessariamente diferentes das dos outros camaradas que estiveram comigo e que me são únicas enquanto indivíduo.

Reconheço assim nesta formação muitas das características que dão forma à andragogia: a valorização da experiência própria, a utilidade do curso, a sua possível aplicação prática ao quotidiano, a satisfação da sua realização e respectiva auto-estima. Acima de tudo, este tipo de filosofia de ensino, devolve-nos o gosto pela aprendizagem, muitas vezes perdido, como foi o meu caso, quando terminava a minha formação académica do ensino secundário.

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