Psicologia da Aprendizagem
Comparação entre a Experiência Formativa e o Modelo de Gagne
Ao longo da minha experiência formativa, bem como daquilo que tem sido a minha prática, concordo plenamente com a teoria deste modelo de Gagne, se bem que na prática, ele não seja por vezes conseguido. Vejo-o antes como um modelo com linhas gerais sobre as quais tento construir as acções de formação pelas quais sou responsável.
Idealmente, o modelo será seguido para que se atinja a plena eficiência na formação. Porém acontece que nem sempre me é possível aplicar todos os passos deste modelo, se bem que reconheço a maior parte deles nas formações em que participo como formador.
Estas formações a que me refiro, que na sua essência são sobretudo aulas para qualificação de tripulantes e de mecânicos de manutenção, têm uma grande componente prática, sendo por isso fácil de identificar os seguintes passos: o objectivo, informando o que se espera que seja atingido no final; a informação, dada muitas vezes recorrendo à pratica na aeronave e apresentando a matéria no geral para depois partir para aspectos mais específicos; guiar a aprendizagem, usando comparações e exercícios práticos, sendo este passo um dos mais importantes na formação; aliciar à prática, treinando e colocando os formandos em situações simuladas de emergência para que as resolvam; dar feedback, indicando o que correu menos bem e incentivando à melhoria desses pontos no próximo exercício; avaliar a performance, obviamente necessário para qualificar os tripulantes; aumentar a retenção e a transferência, revendo o que falhou para voltar a treinar esses pontos. No entanto, identifico menos a atenção, se bem que neste contexto a necessidade que o formando sente de se qualificar funcione muitas vezes como motivação.
Revendo e analisando as minhas acções de formação, vejo muitas fases da instrução inseridas no modelo de Gagne, sendo os exemplos que referi acima as razões pelas quais me identifico com ele. Porém, existem situações, mais especificamente no decorrer de algumas aulas teóricas das várias formações, em que me é mais difícil verificar todos estes pontos. Constitui informação essencial que é preciso memorizar recorrendo ao estudo e por conseguinte, considero que nem sempre os passos deste modelo são seguidos exactamente pela ordem apresentada. Por vezes também não são completamente implementados, se bem que é sempre possível caminhar no sentido de integrar nestas formações os passos menos conseguidos, no sentido de melhorar os cursos e a qualidade da instrução para, no fundo como é objectivo do modelo, torná-la mais eficiente.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Os artigos que deram origem ao Blog
Psicologia da Aprendizagem – Experiência como Formando
Ao ler e consultar os vários textos disponibilizados sobre a formação profissional de adultos e os vários aspectos da Pedagogia versus a Andragogia, não pude deixar de reflectir sobre a minha própria experiência nas duas filosofias de aprendizagem. Quem sabe, talvez em parte pelo conflito gerado entre o modelo pedagógico e o quase adulto que eu era na altura, tomei a decisão de me voluntariar para a Força Aérea como cabo especialista, pois estava “saturado” da escola e de estudar, entre outras razões.
Mal sabia eu que a minha permanência entre as fileiras da Força Aérea seria, como o é ainda hoje, uma constante aprendizagem e formação, sempre necessária e benéfica, quer para a melhoria do profissional que todos procuramos ser, quer para tornar ainda mais eficiente o ambiente de trabalho onde estamos inseridos.
Destas várias formações, aquela que recordo mais vivamente por ter gostado, é talvez o Curso de Sobrevivência, Fuga e Evasão, ministrado pelo Centro de Treino e Sobrevivência da Força Aérea (CTSFA). Este curso prepara-nos para as técnicas de sobrevivência em terra e no mar, técnicas de fuga e evasão em território inimigo e treino de situações diversas, próximas da realidade, a que somos sujeitos enquanto prisioneiros de guerra.
Depois da sempre necessária parte teórica do curso, onde nos são dados os conhecimentos (intercalados com alguns exercícios básicos) sobre toda uma diversidade de técnicas de sobrevivência em terra e no mar, progressão no terreno, camuflagem, primeiros socorros, utilização de recursos disponíveis em campo e interrogatórios, - veio a mais desafiante parte prática de pôr em exercício tudo aquilo que absorvi com interesse na sala de aula. Assim, fomos largados em grupos de três no meio do mato com objectivos traçados de nos dirigirmos ao ponto pré-determinado de recolha. Reunindo as experiências pessoais de cada um com o conjunto das matérias que tínhamos aprendido na fase teórica do curso, lá conseguimos gerir o nosso conhecimento para nos ajudar a ultrapassar o frio, a chuva, as caminhadas, o cansaço, a fome e os “mimos” dos interrogadores na “prisão”. Depois da fuga, conseguimos chegar ao fim do exercício com sucesso, entre muitas desventuras e peripécias.
Tenho a certeza de que, apesar de o realizarmos juntos e de conter uma linha comum, a experiência resultante foi diferente para cada dos elementos do grupo.
No que me diz respeito, este curso foi bastante estimulante, pois além de me dar conhecimentos sobre as matérias propostas, ajudou-me a conhecer-me a mim próprio, a tomar noção dos meus limites, a dar valor às pequenas coisas do meu quotidiano e principalmente a gerir a pressão psicológica adversa a que estava submetido. Estas características são pois lições de vida necessariamente diferentes das dos outros camaradas que estiveram comigo e que me são únicas enquanto indivíduo.
Reconheço assim nesta formação muitas das características que dão forma à andragogia: a valorização da experiência própria, a utilidade do curso, a sua possível aplicação prática ao quotidiano, a satisfação da sua realização e respectiva auto-estima. Acima de tudo, este tipo de filosofia de ensino, devolve-nos o gosto pela aprendizagem, muitas vezes perdido, como foi o meu caso, quando terminava a minha formação académica do ensino secundário.
Ao ler e consultar os vários textos disponibilizados sobre a formação profissional de adultos e os vários aspectos da Pedagogia versus a Andragogia, não pude deixar de reflectir sobre a minha própria experiência nas duas filosofias de aprendizagem. Quem sabe, talvez em parte pelo conflito gerado entre o modelo pedagógico e o quase adulto que eu era na altura, tomei a decisão de me voluntariar para a Força Aérea como cabo especialista, pois estava “saturado” da escola e de estudar, entre outras razões.
Mal sabia eu que a minha permanência entre as fileiras da Força Aérea seria, como o é ainda hoje, uma constante aprendizagem e formação, sempre necessária e benéfica, quer para a melhoria do profissional que todos procuramos ser, quer para tornar ainda mais eficiente o ambiente de trabalho onde estamos inseridos.
Destas várias formações, aquela que recordo mais vivamente por ter gostado, é talvez o Curso de Sobrevivência, Fuga e Evasão, ministrado pelo Centro de Treino e Sobrevivência da Força Aérea (CTSFA). Este curso prepara-nos para as técnicas de sobrevivência em terra e no mar, técnicas de fuga e evasão em território inimigo e treino de situações diversas, próximas da realidade, a que somos sujeitos enquanto prisioneiros de guerra.
Depois da sempre necessária parte teórica do curso, onde nos são dados os conhecimentos (intercalados com alguns exercícios básicos) sobre toda uma diversidade de técnicas de sobrevivência em terra e no mar, progressão no terreno, camuflagem, primeiros socorros, utilização de recursos disponíveis em campo e interrogatórios, - veio a mais desafiante parte prática de pôr em exercício tudo aquilo que absorvi com interesse na sala de aula. Assim, fomos largados em grupos de três no meio do mato com objectivos traçados de nos dirigirmos ao ponto pré-determinado de recolha. Reunindo as experiências pessoais de cada um com o conjunto das matérias que tínhamos aprendido na fase teórica do curso, lá conseguimos gerir o nosso conhecimento para nos ajudar a ultrapassar o frio, a chuva, as caminhadas, o cansaço, a fome e os “mimos” dos interrogadores na “prisão”. Depois da fuga, conseguimos chegar ao fim do exercício com sucesso, entre muitas desventuras e peripécias.
Tenho a certeza de que, apesar de o realizarmos juntos e de conter uma linha comum, a experiência resultante foi diferente para cada dos elementos do grupo.
No que me diz respeito, este curso foi bastante estimulante, pois além de me dar conhecimentos sobre as matérias propostas, ajudou-me a conhecer-me a mim próprio, a tomar noção dos meus limites, a dar valor às pequenas coisas do meu quotidiano e principalmente a gerir a pressão psicológica adversa a que estava submetido. Estas características são pois lições de vida necessariamente diferentes das dos outros camaradas que estiveram comigo e que me são únicas enquanto indivíduo.
Reconheço assim nesta formação muitas das características que dão forma à andragogia: a valorização da experiência própria, a utilidade do curso, a sua possível aplicação prática ao quotidiano, a satisfação da sua realização e respectiva auto-estima. Acima de tudo, este tipo de filosofia de ensino, devolve-nos o gosto pela aprendizagem, muitas vezes perdido, como foi o meu caso, quando terminava a minha formação académica do ensino secundário.
Os artigos que deram origem ao Blog
A integração dos Cursos de Especialização Tecnológica na FAP
Depois de alguma pesquisa, eis as linhas principais que constituem o sumário da minha conclusão. Desde já gostaria de deixar claro que este foi o primeiro contacto que tive com o tema do qual, confesso, tinha um total desconhecimento.
Os Cursos de Especialização Tecnológica (CET) vêm de encontro à necessidade prioritária de incentivar a competitividade do País, através da qualificação dos seus recursos humanos, aumentando assim as suas aptidões. As definições destes Cursos são as que estão estipuladas no Decreto-Lei nº 88/2006 de 23 de Maio.
À luz desta directiva, faz todo o sentido desenvolver a implementação dos Cursos de Especialização Tecnológica no seio da formação exercida pela Força Aérea, tanto no que diz respeito a elementos do Quadro Permanente (QP), como a elementos do Regime de Contrato (RC).
No que concerne aos elementos do QP, os principais alvos destas qualificações seriam os frequentadores dos Cursos de Sargentos. Aumentar o nível de qualificação destes profissionais será uma mais-valia para a Força Aérea, que veria assim actualizado o nível de qualificação dos seus homens e mulheres. Evitar-se-ia então situações que se verificam na actual realidade, em que existem militares altamente qualificados, mas que raramente se vêem reconhecidos fora da instituição militar. De realçar também o facto de que o Diploma de Especialização Tecnológica obtido pela frequência com aproveitamento dos CET, dá acesso a cursos superiores, os quais uma vez terminados, podem contribuir para a progressão da carreira dos militares, além da obvia valorização profissional e pessoal.
Quanto aos militares com intenções de ingressar no RC, teriam um grande incentivo ao saber que no final da sua passagem pela Força Aérea – caso não transitem para o QP - sairiam da instituição com uma qualificação de nível 4, apesar de na prática considerar esta solução pouco viável. Também os oficiais do RC poderiam beneficiar dos CET. Cabe aqui lembrar que estes cursos também são dirigidos a titulares de um diploma de ensino superior que pretendam a sua requalificação profissional. O actual Regime de Contrato previsto para as várias especialidades e quadros, permite à Força Aérea inserir na sua organização indivíduos que se tornarão militares extremamente válidos, após as várias fases de instrução e formação técnica e que irão complementar as necessidades de recursos humanos indispensáveis ao cumprimento da sua missão. No entanto, não devemos esquecer que grande parte destes militares, inevitavelmente terão que regressar ao mercado de trabalho, findo o seu Contrato. Para estes, será sem dúvida grande a vantagem de verem a sua formação reconhecida num ambiente que se torna cada vez mais competitivo de dia para dia e que obviamente irá valorizar e beneficiar a qualidade dos profissionais disponíveis no nosso país.
Se a Força Aérea e as entidades competentes nos diferentes Ministérios envolvidos, produzirem esforços no sentido de procederem ao reconhecimento dos Cursos de Especialização Tecnológica, ao reconhecimento de competências e funções existentes nas várias áreas profissionais da nossa organização, então estarão a contribuir para que se enriqueça a própria Força Aérea, os seus profissionais e, por consequência a Nação, seja pelo contributo do seu quadro permanente, seja pelos militares que regressam à situação civil.
É assim indiscutível a enorme vantagem em inserir estes Cursos de Especialização Tecnológica na estrutura da Força Aérea Portuguesa, uma vez que conferem um nível de qualificação deveras importante e até necessário ao desenvolvimento do nosso mercado de trabalho, assim como também constituem uma porta de acesso ao Ensino Superior. Penso que o verdadeiro desafio que agora se nos depara, será a equivalência destes cursos com os restantes da sociedade civil. Para já, e depois de uma consulta ao Catálogo Nacional de Qualificações, são apenas 12 as qualificações existentes que permitem uma qualificação de 12º ano e nível 4. Enquadrar a formação técnica ministrada na Força Aérea para os seus diferentes quadros e especialidades numa homologação válida, não será uma tarefa pacífica.
Depois de alguma pesquisa, eis as linhas principais que constituem o sumário da minha conclusão. Desde já gostaria de deixar claro que este foi o primeiro contacto que tive com o tema do qual, confesso, tinha um total desconhecimento.
Os Cursos de Especialização Tecnológica (CET) vêm de encontro à necessidade prioritária de incentivar a competitividade do País, através da qualificação dos seus recursos humanos, aumentando assim as suas aptidões. As definições destes Cursos são as que estão estipuladas no Decreto-Lei nº 88/2006 de 23 de Maio.
À luz desta directiva, faz todo o sentido desenvolver a implementação dos Cursos de Especialização Tecnológica no seio da formação exercida pela Força Aérea, tanto no que diz respeito a elementos do Quadro Permanente (QP), como a elementos do Regime de Contrato (RC).
No que concerne aos elementos do QP, os principais alvos destas qualificações seriam os frequentadores dos Cursos de Sargentos. Aumentar o nível de qualificação destes profissionais será uma mais-valia para a Força Aérea, que veria assim actualizado o nível de qualificação dos seus homens e mulheres. Evitar-se-ia então situações que se verificam na actual realidade, em que existem militares altamente qualificados, mas que raramente se vêem reconhecidos fora da instituição militar. De realçar também o facto de que o Diploma de Especialização Tecnológica obtido pela frequência com aproveitamento dos CET, dá acesso a cursos superiores, os quais uma vez terminados, podem contribuir para a progressão da carreira dos militares, além da obvia valorização profissional e pessoal.
Quanto aos militares com intenções de ingressar no RC, teriam um grande incentivo ao saber que no final da sua passagem pela Força Aérea – caso não transitem para o QP - sairiam da instituição com uma qualificação de nível 4, apesar de na prática considerar esta solução pouco viável. Também os oficiais do RC poderiam beneficiar dos CET. Cabe aqui lembrar que estes cursos também são dirigidos a titulares de um diploma de ensino superior que pretendam a sua requalificação profissional. O actual Regime de Contrato previsto para as várias especialidades e quadros, permite à Força Aérea inserir na sua organização indivíduos que se tornarão militares extremamente válidos, após as várias fases de instrução e formação técnica e que irão complementar as necessidades de recursos humanos indispensáveis ao cumprimento da sua missão. No entanto, não devemos esquecer que grande parte destes militares, inevitavelmente terão que regressar ao mercado de trabalho, findo o seu Contrato. Para estes, será sem dúvida grande a vantagem de verem a sua formação reconhecida num ambiente que se torna cada vez mais competitivo de dia para dia e que obviamente irá valorizar e beneficiar a qualidade dos profissionais disponíveis no nosso país.
Se a Força Aérea e as entidades competentes nos diferentes Ministérios envolvidos, produzirem esforços no sentido de procederem ao reconhecimento dos Cursos de Especialização Tecnológica, ao reconhecimento de competências e funções existentes nas várias áreas profissionais da nossa organização, então estarão a contribuir para que se enriqueça a própria Força Aérea, os seus profissionais e, por consequência a Nação, seja pelo contributo do seu quadro permanente, seja pelos militares que regressam à situação civil.
É assim indiscutível a enorme vantagem em inserir estes Cursos de Especialização Tecnológica na estrutura da Força Aérea Portuguesa, uma vez que conferem um nível de qualificação deveras importante e até necessário ao desenvolvimento do nosso mercado de trabalho, assim como também constituem uma porta de acesso ao Ensino Superior. Penso que o verdadeiro desafio que agora se nos depara, será a equivalência destes cursos com os restantes da sociedade civil. Para já, e depois de uma consulta ao Catálogo Nacional de Qualificações, são apenas 12 as qualificações existentes que permitem uma qualificação de 12º ano e nível 4. Enquadrar a formação técnica ministrada na Força Aérea para os seus diferentes quadros e especialidades numa homologação válida, não será uma tarefa pacífica.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Bem Vindos.
Este Blog destina-se a visitantes, amigos, seguidores e profissionais com interesses na actividade das Aeronaves de Patrulhamento Marítimo em Portugal.
Nasceu a partir de uma sugestão feita durante a minha frequência do Curso de Requalificação Pedagógica de Formadores da Força Aérea Portuguesa.
A todos obrigado pela visita.
Este Blog destina-se a visitantes, amigos, seguidores e profissionais com interesses na actividade das Aeronaves de Patrulhamento Marítimo em Portugal.
Nasceu a partir de uma sugestão feita durante a minha frequência do Curso de Requalificação Pedagógica de Formadores da Força Aérea Portuguesa.
A todos obrigado pela visita.
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